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As olheiras estão às margens da visão. Vez ou outra alcanço através delas o que os olhos solitários não poderiam capturar.
 

 

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Lu, 22 anos, divorciada da História, na tentativa de reatar com as máquinas, Concrete Jungle, Pernambuco, Brasil.
 


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-- Sexta-feira, Fevereiro 27, 2009 --

Meus últimos dias foram de Polanski. Assisti “A Dança dos Vampiros” e fiquei tentada a ver mais trabalhos seus. Foi aí que cheguei a “Lua de Fel” e “Tess”, únicos novos títulos que a locadora dispunha para mim, pois já havia visto “O Bebê de Rosemary” e “O Pianista”.

Não posso omitir meu prazer com o terror bem-humorado do clássico “A Dança dos Vampiros”. O filme surpreende por tratar o tema de maneira inusitada, na medida em que, sem sacrificar o clima envolvente do terror, junta à trama traços da comédia, alcançando assim um resultado único.

*postado por: Lu , ás 3:41 PM .

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Para mim, tudo isso é novidade, mas não posso omitir: não gostei da maneira como Hitchcock tratou a psicanálise em Quando fala o coração e em Marnie - confissões de uma ladra. Não sejam tão duros quando me corrigirem, se acaso o fizerem, amantes de Hitchcock, pois falo de minhas primeiras impressões e não estou certa de que não possa ser apanhada no erro.

Acho que Hitchcock, fascinado pela descoberta de Freud, acabou, principalmente em Quando fala o coração, explicando de maneira muito direta a complexidade dos problemas pelos quais passavam seus personagens. Foi justamente isso que ficou a batucar em minha cabeça: em casos pouco ou nada simples, a psicanálise alcança mesmo resultados tão exitosos por caminhos simples e demasiadamente rápidos? A realidade me diz que não. Nos dois filmes, as explicações me pareceram mecânicas e a cura para as enfermidades dos personagens, por consequencia, muito certa.

*postado por: Lu , ás 3:41 PM .

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Sobre Laranja Mecânica

“Engraçado, emocionante, político, satírico, assustador, musical, cômico, sardônico, emocionante, metafórico, bizarro” - assim diz a chamada para Laranja Mecânica, no inusitado trailer para o cinema. Um conjunto de adjetivos excelentemente empregados, que fique claro. E digo isso sem o menor traço de exagero.

Stanley Kubric começa o filme apresentando a vida do “pequeno Alex”. Alex não é rico, embora não lhe falte nada. Ele vive com sua mãe e pai e divide seu tempo entre passeios noturnos à leiteria favorita, música clássica e divertidas atividades onde extravasa a chamada “ultraviolência” junto aos seus amigos. Nestas atividades, Alex espanca mendigos, rouba... E embora possa conseguir sexo com o consentimento das mulheres, não abre mão do estupro. Eis o dia-a-dia de um indivíduo que não reprime a violência dentro de si (talvez seja esta a diferença entre Alex e os “cidadãos de bem”).

Em uma de suas felizes atividades, Alex é pego. É julgado e condenado a quatorze anos de reclusão. Como o próprio Alex, narrador da história, classifica, a parte “chorosa” do filme tem início aí. Passa dois anos preso e, sedento pela liberdade, propõe-se a ser cobaia da Técnica Ludovico, que consiste em impossibilitar os criminosos de cometer maldades por meio de uma terapia de aversão. A técnica utiliza uma combinação de filmes de violência e drogas, que acabam por condicionar o indivíduo a reagir mecanicamente com fortes dores aos impulsos violentos ou sexuais.

Posto em liberdade, Alex não é mais o mesmo. Transforma-se num animal frágil e acuado, recebendo patadas e todo tipo de maus-tratos daqueles a quem já fez mal. Está impedido de reagir. Qualquer inclinação à violência lhe faz sentir dores paralisantes e uma forte náusea. O governo alardeia a descoberta da cura do crime: a maravilhosa Técnica Ludovico! O criminoso submetido à cura “é impelido para o bem, paradoxalmente, por ser impelido para o mal”, propagandeia o Ministro do Interior. Assegurar a tranqüilidade ao cidadão de bem, acabando com a criminalidade, é o carro-chefe para a reeleição do Governo. As prisões não seriam mais para os delinqüentes comuns, que seriam todos curados com a técnica do futuro, mas para os presos políticos.

Desprovido de livre-arbítrio, Alex “deixa de ser um malfeitor, mas deixa de ser uma criatura capaz de escolha morais”, segundo o padre que o acompanha na prisão. Em nenhum momento, o filme mostra que a ausência do ato maléfico seja o bem. Muito pelo contrário. Alex segue sonhando com o “entra-e-sai” selvagem. Ao final do filme, um teste com slides mostra a velha “ultraviolência” ainda viva nele.

Manipulado de um lado, manipulado do outro. A oposição utiliza Alex para desgastar o governo, fazendo com que apareçam os limites e a crueldade da técnica Ludovico da maneira mais bizarra. Alex então vira vítima. A imprensa alardeia seu sofrimento e os pais, que o haviam rejeitado após ser solto, lhe pedem desculpas. O Governo se enfraquece. O caso de Alex mobiliza a sociedade. Para não comprometer de vez a reeleição, o ministro cede favores a ele em troca do uso de sua imagem.

De um lado está Alex, cheio da velha maldade, mas impedido de praticá-la. Do outro o Estado, tão violento quanto o jovem, mas munido de todo o aparato para alcançar seus objetivos.

Laranja Mecânica é um filme completo de cabo a rabo, ou de “iabo” a rabo. Embrenhar-se nos tortuosos caminhos da personalidade humana e observá-la dentro da hipocrisia social de uma Londres futurista (bem parecida com a realidade encontrada em todo o mundo, atualmente), escancarando o resultado em uma narrativa de qualidade, não é tarefa fácil. Mas não é por pouco que Laranja Mecânica é tão aclamado.

*postado por: Lu , ás 3:39 PM .

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