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As olheiras estão às margens da visão. Vez ou outra alcanço através delas o que os olhos solitários não poderiam capturar.

 

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Sexta-feira, Abril 24, 2009

Sinto que o estou perdendo para ele mesmo. São cada vez menos sorrisos e nunca uma boa risada. Esconde detrás dos óculos escuros as minúsculas janelas de sua alma. Dentro dele há mofo e uma porção de coisas que brotam da umidade (chamei sua atenção, mas as cortinas continuam fechadas).

Eu o amo e tento arrancar-lhe desabafos: é inútil. Está tão trancado quanto os segredos do Vaticano. Peço que dispa as calças e salpico beijinhos em seu ventre. Como encontro o esconderijo de seus pensamentos? Que botão aperto para pôr fim a esta maldita discrição? Contorno seu umbigo com a ponta da minha língua. Ele sorri sem gosto, como quem apenas mostra os dentes.

*postado por: Lu, ás 7:41 PM.

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